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Os peixes são animais incríveis e complexos. Não existe essa história de peixinhos coloridos felizes e juntinhos. Infelizmente, por muitos não entenderem isso, alguns aquários são completamente mal organizados e montados. Ter um aquário não é apenas ter um recipiente cheio de coisinhas coloridas nadando pra lá e pra cá, essa não é a essência do Aquarismo e tampouco a sua íntegra.
Um aquário é uma tentativa de proporcionar a esses incríveis animais, as melhores condições de vida o possível. Algo que quebra essa ideia é a total incompatibilidade de espécies. A natureza é fascinante, e não mantém espécies separadas à toa. Por exemplo, peixes asiáticos não devem ser colocados com peixes americanos ou africanos. Em alguns casos, a mistura pode ser feita, mas na maioria dos casos, essa mistura faz com que os aquários sejam “rings” de brigas ou com que os peixes fiquem completamente apáticos e acabem morrendo.

Basicamente, os peixes são divididos nas seguintes categorias:

Poecilídeos

Os Poecilídeos são peixes mais apropriados para iniciantes, dependendo das condições, se dão bem em aquários comunitários, podendo até servir no combate de algas em aquários (molinésias) e de larvas de mosquito em lagos (qualquer poecilídeo). Esses peixes podem apresentar disputas, principalmente machos, mas, se as condições de tamanho, pH, etc forem atendidas, são peixes simples de se cuidar e muito recomendados a iniciantes.

Anabantídeos

Esta família de peixes se propagou no Aquarismo devido ao “sucesso” do peixe betta (Betta splendens) entre os iniciantes. Porém, a família abrange muitos outros peixes além do conhecido betta. Entre os anabantídeos estão os: tricogasters, colisas, gouramis, entre outros. Esses peixes já são mais complicados em relação à interação com outras espécies. Por serem peixes basicamente agressivos, peixes muito lentos ou “cutucadores” não são boas companhias. Com esses peixes, o tamanho do aquário é algo fundamental para o sucesso. Lembrando também que a maioria dos anabantídeos são asiáticos, não devendo ser misturados com americanos ou africanos.

Ciprinídeos

Esta provavelmente é a família mais conhecida de peixes no Aquarismo. Afinal, é nela que está o famoso peixinho dourado. Essa família se divide basicamente nos seguintes grupos: barbos, danios, rásboras, lamnidae e peixes de água fria. Apesar de pertencerem à mesma família, esses peixes tem características bem diferentes entre si, por isso, é interessante analisar cada uma delas.

  • Barbos: peixes ligeiros e cutucadores, devem ser mantidos em cardumes para que os outros peixes sejam menos incomodados, além disso, aquários pequenos são como um castigo para esses peixes ariscos. Para sua companhia em aquários, são recomendados peixes também ariscos e com faixa de pH semelhante, visto que entre os barbos, esse faixa varia;
  • Danios: nessa aba da família, se encontra o “paulistinha”, um peixe muito usado no Aquarismo. Os Danios são extremamente pacíficos e ariscos. Devem ser mantidos em espaços grandes, pois gostam de correr por todo o lado. Para sua companhia, peixes rápidos e não muito maiores que eles;
  • Rásboras: muito apreciadas quando estão em cardumes densos. Basicamente, são dóceis e não implicam com outros peixes. Para dividir o ambiente com rásboras, são ideais peixes também cardumeiros e não muito lentos;
  • Lamnidae: aqui são encontrados os lábeos, os comedores de algas e o bala-shark. Esses peixes normalmente não toleram outro indivíduo da mesma espécie ou até do mesmo ramo (ex: labeo bicolor e labeo frenatus). São peixes muito bonitos e crescem bem. Alguns são bons no combate às algas. Para comunitários, são ideais peixes mais rápidos. Lembrando que no caso dos comedores de algas, os peixes que possuem mucos não devem ser misturados;
  • Peixes de água fria: são peixes pacíficos e “bobos”. Ideais para lagos, esses peixes são erroneamente colocados em aquários, onde são confinados a uma vida desconfortável e curta. Por crescerem muito, lagos são a melhor opção, a não ser que o aquário seja grande o suficiente. Em geral, não é bom coloca-los com muitos peixes. Basicamente, se dão bem entre si, tolerando peixes limpadores e poecilídeos. Esses peixes não brigam, porém, não reagem a nada que é feito com eles.

Caracídeos

Esta é uma família muito interessante, pois dentro dela estão os lindos e temperamentais “tetras”. Os peixes dessa família são, em geral, cardumeiros e relativamente pacíficos. Dentro do grupo dos caracídeos, estão os seguintes tipos de peixe: tetras, pacus e peixes-lápis.

  • Pacus: peixes que atingem um tamanho grande, apenas alguns tipos devem ser colocados em aquários. Dentro do grupo dos pacus estão também as piranhas, peixes conhecidos pela voracidade em devorar carne. Os pacus grandes (tambaqui, tambacu, etc) são peixes que devem ser criados em lagos grandes, pois eles atingem tamanhos muito além do que um aquário normal comporta. Os pacus pequenos/médios (prateado, cadete, etc) podem ser mantidos tanto em aquários como em lagos, dependendo do tamanho do ambiente. As piranhas devem ser mantidas em cardumes da mesma espécie, pois elas são carnívoras e devoram qualquer outro peixe.
  • Peixes-lápis: geralmente coloridos e cardumeiros. Devem ser mantidos com peixes que não os incomodem frequentemente, além disso, peixes muito grandes ou lentos não são recomendados.
  • Tetras: estes peixes são incríveis. Cada um dos tetras tem uma beleza única e nova. São peixes cardumeiros e, às vezes, cutucadores. Alguns se sentem muito melhor em aquários plantados (ex: neon, matogrosso, etc). Para acompanhá-los, o ideal são peixes normalmente do mesmo tamanho ou um pouco maiores mas que não os incomodem. É bom lembrar também que nem todos os tetras são compatíveis entre si.

Cobitídeos

A famíia das bótias. Esses peixes são considerados por alguns como grandes coridoras. As bótias são peixes ariscos e coloridos. Apreciam muito a presença de tocas e locais escondidos. Algumas gostam de estar em cardumes densos. É bom lembrar que as bótias em geral são muito sensíveis às mudanças de temperatura. Esses peixes são, geralmente, pacíficos com outras espécies, porém, não gostam de ser cutucados ou incomodados. Também é bom ressaltar que bótias não combinam com aquários plantados, pois elas podem “desplantar” tudo rapidamente. As mais conhecidas são as bótias palhaço e YoYo.

Coridoras

As coridoras são peixes muito explorados. Alguns veem esses peixes apenas como faxineiros insignificantes. Porém, esses peixes devem ser tratados da mesma maneira que qualquer outro peixe. As coridoras são, geralmente, cardumeiras. Algumas só saem à noite, por isso, é bom que o aquário tenha muitos buracos e tocas. Esse peixe pode ser posto com praticamente todos os tipos de peixes, exceto os carnívoros, os africanos ou os muito grandes. Um aspecto importante é que os cardumes são específicos, por exemplo: uma coridora albina não anda em cardume com coridoras sterbai e vice-versa. É interessante lembrar também que esses peixes possuem ferrão em suas nadadeiras, por isso, é bom não manuseá-las sem o auxilio de uma rede.

Cascudos

Peixes vulgarmente conhecidos como “limpa-vidro”. Esses peixes são interessantes e necessitam de um bom espaço para poderem viver confortavelmente. Gostam de tocas, troncos e pedras no aquário. É bom lembrar que apesar de comerem algas, necessitam de comida específica. Para sua companhia, a maioria das peixes são colocados sem problema, com exceção de carnívoros e africanos. Alguns tem hábito carnívoro, e isso deve ser um fator na escolha de companheiros.

Killifishes

Peixes com cores exuberantes, muito apreciados pelos aquaristas. Em geral, são fáceis de se manter. A forma de criação mais usada é com um aquário para reprodução (um macho para uma ou duas fêmeas), porém, na natureza, convivem bem com outras espécies de peixes. Em aquários comunitários, convivem bem, desde que com parceiros amigáveis que não os incomodem, porém, quando estão em um aquário só seu, suas cores ficam mais vívidas.

Melanotaenias

As melanotaenias são peixes coloridos, ativos e cardumeiros. Apreciam a convivência em grandes cardumes, além de não incomodarem outros peixes. Aquários com plantas também são apreciados. Esses peixes são muito pacíficos, e isso deve ser notado na escolha de outros peixes caso o aquário seja comunitário. Peixes muito cutucadores podem fazer com que elas percam a cor e fiquem apáticas. Parceiros ideais são peixes ativos e que não incomodem outros peixes.

Ciclídeos Mbuna do lago Malawi

Os mais conhecidos ciclídeos do lago Malawi são os mbuna. A maioria é encontrada na costa, principalmente nas rochas. O comportamento agressivo e as cores vibrantes (principalmente nos machos) são marcas indispensáveis da espécie. Por serem territoriais, na natureza, alguns machos permanecem no mesmo local por anos. Em aquários, esses peixes não devem ser misturados com nenhum outro por vários motivos, tais como: qualidade da água, agressividade, especificidade do local onde vivem, entre outros. Esses e outros fatores tornam os mbunas peixes peculiares, bem como os outros ciclídeos africanos. O aquário pra mbunas deve ter abundante pedragismo, com muitas tocas e esconderijos. Para substrato, quase sempre usa-se cascalho fino (como areia). O aquário deve ser espaçoso para manter os peixes em questão, aquários apertados não dão certo para mbunas. Para conviver com esses peixes, não é recomendado nenhum outro tipo. Além disso, deve-se colocar apenas um macho de cada espécie no aquário, sendo um macho para cada 2-5 femeas, nem machos de outras espécies com coloração parecida são aceitos.

Ciclídeos Haps do lago Malawi

Os haps vivem afastados da costa e também próximos da mesma, porém, em áreas abertas e possuem algumas características interessantes, a principal é o fato de apreciarem cardumes (mesmo de diversas espécies). Apesar de apreciarem a vida em cardumes, isso não os torna dóceis. Os haps são extremamente territorialistas, e podem inclusive comer indivíduos muito pequenos. Alguns haps podem atingir mais de 30 cm, por isso, um aquário para haps deve ser bem espaçoso e deve possuir bastante espaço aberto para nado livre. Os machos não toleram outros de mesma espécie e nem de outra espécie com cor parecida, além disso, recomenda-se entre 2 e 5 fêmeas por macho.Como companhia, não é recomendado nenhum outro tipo de peixe, pois este tipo de ciclídeo é muito agressivo.

Ciclídeos do lago Tanganyika

Os ciclídeos desse lago são chamados de “tangs” (travo, ou algo com odor forte), esse nome deriva do nome do lago. Esse lago possui muitas espécies de peixes, e nem todos podem ser colocados juntos. As espécies do mesmo, basicamente, dividem-se pela zona do lago onde vivem. Existem os tangs das zonas areosas e os tangs das zonas rochosas além dos que vivem nas duas zonas (ex: frontosa). Como todos os ciclídeos, os africanos são extremamente territorialistas e agressivos. Para criá-los, é necessário um aquário de grande porte, com pedras e tocas. Sua agressividade é basicamente entre machos da mesma espécie e entre outros tipos de peixes, após formarem uma hierarquia, as disputas se amenizam, por isso, não é recomendado mistura-los com outros tipos de peixe.

Ciclídeos do lago Vitória

Os ciclídeos desse lago são agressivos como todos os outros africanos, e isso torna desses peixes habitantes exclusivos de seus aquários. Por seus parâmetros adversos e comportamento intrigante, esses peixes devem ser mantidos sem nenhum outro tipo de peixe no aquário. O aquário deve ter rochas, tocas e também algumas zonas areosas.

Ciclídeos anões sul-americanos (apistograma)

Os apistogramas são peixes que fazem sucesso entre os aquaristas que já tem uma certa experiência com o Aquarismo. Podem ser mantidos das seguintes maneiras:

  • Em comunitários: vivem bem, porém não suportam ser incomodados. É bom lembrar também que poucos peixes são compatíveis com os apistogramas. Normalmente peixes sul-americanos de pequeno porte são indicados.
  • Em aquário para reprodução: coloca-se em um aquário o casal em questão, deve-se atender a todos os parâmetros ideais do peixe para obter sucesso na reprodução.
    É notório lembrar que esses peixes (a fêmea) fazem buracos para reprodução, e isso pode prejudicar a estética do aquário.

Ciclídeos sul-americanos (Jumbo)

Os ciclídeos americanos jumbo são peixes geralmente territoriais e devoram peixes menores que eles. O ideal é que sejam mantidos em lagos ou em aquários grandes apenas com peixes jumbo (de preferência americanos). São vorazes e brutos, por isso, o aquário não comporta muitos enfeites e plantas, apenas plantas de folhas grossas e pedras/troncos devem ser usados. Esses peixes também sofrem muito com a questão da incompatibilidade, pois são vendidos pequenos e, muitas vezes, comprados por iniciantes. Esses peixes são territorialistas, e o espaço deve ser de sobra para os habitantes do aquário.

Ciclídeos sul-americanos (discos e bandeiras)

Esses peixes merecem uma atenção em especial, pois seus comportamentos não se enquadram totalmente em nenhuma das outras categorias.

  • Discos: peixes muito sensíveis, devem ser atendidas todas as suas necessidades de qualidade da água. Gostam de viver em cardumes, e em lugares espaçosos. Aquários plantados são um bom habitat para eles. Para companhia, apenas tetras (nem todos) e alguns outros peixes são ideais. Os peixes limpadores são outro problema, apenas as coridoras podem conviver com discos, pois os outros atacam sua mucosa, causando sua morte.
  • Bandeiras: parecem com os discos, exceto quanto a sensibilidade e quanto aos companheiros que podem estar com ele. Os bandeiras são extremamente territorialistas entre si, e quando se reproduzem, eles são agressivos com qualquer um que chegue perto. Por esses fatores, são recomendados cardumes com mais de 5 indivíduos (isso ajuda distribuir as brigas) e aquários grandes. Apreciam aquários plantados. Para sua companhia, peixes mais ágeis podem ser colocados, desde que não o incomodem, alguns tetras também ficam bem com bandeiras.

Biótopos

Alguns aquaristas, na esperança de dar o melhor aos seus peixes, montam aquários biótopos. Esses aquários tentam reproduzir na íntegra determinada região, tal como: um rio, um lago, etc. Para biótopos, são usadas apenas espécies de peixes e plantas contidas na região em questão, além dos parâmetros da água e do paisagismo ideal. É uma excelente alternativa para quem já está a mais tempo no Aquarismo.

Fonte: Site Aquaflux

Tags : aquárioaquarismobettapeixe
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